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terça-feira, 31 de julho de 2012
O PREÇO INTERATIVIDADE
Affonso Romano de Sant'anna, contista, cronista e poeta, é um dos melhores intérpretes da realidade social e do cotidiano por meio da literatura. Sobre a chacina ocorrida em cinema nos EUA, extraí alguns trechos de sua breve análise semiológica publicada no caderno de cultura do EM:
"O cinema se chama Century, ou seja, Século. Logo, a chacina em Denver/Colorado durante a exibição do Filme Batman... é, cinematograficamante, coisa do nosso século. Estava escuro na sala, eis que irrompe um cavaleiro em plena treva e inicia a chacina dos estupefatos espectadores.
Este foi um crime interativo. Interatividade é a palavra do nosso tempo. Na televisão, no iPad, no iPhone, no Facebook, nos shows tipo Big Brother, nas novelas, nas revistas, nos mercados, nas chacinas cinematográficas. Quem não for interativo não é moderno ou pós-moderno.
Pena que o sangue fosse verdade.
A sociedade insiste, cultiva a interatividade. Até nas comprars virtuais.
Somos não mais virtuosos, mas virtuais. O cenário está preparado para o surto psicótico."
A interatividade abriu uma janela imensa e potencializou tanto as nossas virtudes quanto o que há de mais vil no ser humano, ao preço de colocar em risco até mesmo a sobrevivência de uma civilização inteira.
RLC
Sobremesa: Tudo o que acontece é natural - inclusive o sobrenatural.
Mário Quintana
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