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terça-feira, 1 de maio de 2018

O Poder Líquido

Quanto ao poder, ele navega para longe da rua e do mercado, das assembléias e dos parlamentos, dos governos locais e nacionais, para além do alcance do controle dos cidadãos, para a extraterritorialidade das redes eletrônicas. Os princípios estratégicos favoritos dos poderes existentes hoje em dia são fuga, evitação e descompromisso, e sua condição ideal é a invisibilidade. Tentativas de prever seus movimentos e as consequências não-previstas de seus movimentos (sem falar dos esforços para deter ou impedir os mais indesejáveis entre eles) têm uma eficácia prática semelhante à da "Liga para Impedir Mudanças Meteorológicas". 

Zygmunt Bauman - Modernidade Líquida



domingo, 29 de abril de 2018

Miguel Gontijo falava sobre sobre sua exposição, em 2008, "Círculo Vicioso (2008):

"O que represento são profanações, pois não há nada que se torne público sem ter sido profanado. (...) Nada mais tem critério de verdade ou de objetividade, mas uma escala de verossimilhança.".
"(...) Comungo com a teoria de que a vida é cíclica. Estamos presos à lei do eterno retorno. O que é sagrada hoje deixa de ser amanhã e vice-versa. A cultura não é estanque e a beleza da arte é esse questionamento de valores, a proposta de novos caminhos e desvios. Arte é antes de tudo audácia, coragem para chutar o balde, profanar o status quo vigente. É a falta de regras, é transposição, é transgressão de limites" 

Fragmento da entrevista concedida ao Suplemento Literário - Julho/Agosto de 2017


sexta-feira, 27 de abril de 2018

"Na verdade o tempo não existe. É apenas uma variável da alma"

Padre Roberto Salus - Personagem do filme As Confissões
Direção: Roberto Andò





"Termina sempre assim, com a morte. Mas primeiro havia a vida. Escondida sob o blá, blá, blá...
Está tudo sedimentado sob o falatório e os rumores. O silêncio e o sentimento. A emoção e o medo.
Os insignificantes, inconstantes lampejos de beleza. Depois a miséria desgraçada e o homem miserável.
Tudo sepultado sob a capa do embaraço de estar no mundo! Blá, blá, blá...
O outro lado é o outro lado...Eu não vivo do outro lado.
No fundo é apenas uma ilusão.
Sim, é apenas uma ilusão.".
Jep Gampadella - personagem de Toni Servilho em A Grande Beleza.
Filme de Paolo Sorrentino

A história de um jornalista já idoso, que amargamente relembra sua apaixonada e perdida juventude. Em Roma, durante o verão, o escritor Jep Gambardella (Toni Servillo) reflete sobre sua vida. Ele tem 65 anos de idade, e desde o grande sucesso do romance O Aparelho Humano, escrito décadas atrás, ele não concluiu nenhum outro livro. Desde então, a vida de Jep se passa entre as festas da alta sociedade, os luxos e privilégios de sua fama. Quando se lembra de um amor inocente da sua juventude, Jep cria forças para mudar sua vida, e talvez voltar a escrever.

http://filmescult.com.br/

quinta-feira, 26 de abril de 2018

"De Fellini gosto do grotesco, do sutil, da elegância. De Greenaway fica em mim o "sujo" e a sobreposição de imagens.

Miguel Gontijo - artista plástico
Entrevista ao Suplemento - Jul/Ago de 2017
"Não podemos colocar a arte no mesmo patamar da vida"




 
Já faz muito tempo.
Achava que esse blog estava perdido nas profundezas do ciberespaço.
Ei que o encontro de novo.

Hora de remodelar e continuar o achado arqueológico, sem a relevância desse qualificativo, é claro!

Simbora !!
RLC

quarta-feira, 25 de março de 2015

Avaliação na cibercultura

www.artigonal.com



1.    INTRODUÇÃO
Uma das características da Educação a Distância, é o maior controle do aprendente em relação a sua aprendizagem, a administração de seu tempo e a organização de seu ritmo de estudo. Porém, como bem assevera Peters (2001), essa autonomia tem restrições, entre elas "... a utilização de exames pré-estabelecidos pela instituição educacional e operacionalizada pelos docentes".  Toda pratica educativa é processual, e inserido nesse processo está o componente avaliativo. Na cibercultura, por suas peculiaridades, todas as dimensões avaliativas podem ser abordadas, contudo, umas correspondem melhor, não só as expectativas dos professores e instituições, mas principalmente as expectativas dos aprendentes, principalmente aquelas onde o feedback é objetivo, imediato e construtivo.
2.    AVALIANDO NA CIBERCULTURA
O que é cibercultura? Segundo o site Wikipédia cibercultura é: "...a cultura contemporânea fortemente marcada pelas tecnologias digitais.. ...a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônicas graças à convergência das telecomunicações com a informática." Ou seja,. é através da cibercultura que a EAD toma corpo, desenvolve-se como produtor de saberes. Podemos fazer uma simples analogia, onde a cibercultura é uma espécie aldeia, e a EAD, umas das tendas que nela se encontram.
Seríamos capazes de identificar e dar significado aos diversos tipos de avaliações a que somos submetidos? Antes teríamos que compreender o que querem avaliar em nós.
 Observando com mais atenção, percebemos que somos avaliados a cada momento, na cibercultura a avaliação é contínua, e nela, é que se dispõe de três importantes classes de avaliação, são elas: a Diagnóstica, a Formativa e a Somativa. Essa classificação foi proposta por Bloon(2001) :
  • Diagnóstica: ocorre em dois momentos diferentes: antes e durante o processo de instrução
  • Formativa: ocorre durante o processo de instrução; inclui todos os conteúdos importantes de uma etapa da instrução.
  • Somativa: ocorre ao final da instrução com a finalidade de verificar o que o aluno efetivamente aprendeu.
     Então vamos analisar como somos avaliados na cibercultura, contextualizando os conceitos acima? Comecemos então pela Diagnóstica, se todos lembram, no início do curso, todas as disciplinas nos questionaram, através dos fóruns de discussão, sobre as expectativas com relação ao curso, sobre nossas experiências nas diversas áreas do conhecimento, que conceitos tínhamos construído sobre certos descritores, etc. Ou seja, fomos sondados. De forma mais perceptível ocorre com a avaliação Formativa, os questionários, os desafios, os fóruns "pontuados", etc. tem profundo caráter analítico, pois ela oferece subsídios para uma verificação mais criteriosa do processo de aprendizagem.. Finalmente nos deparamos com a avaliação Somativa, basicamente a identificamos como sendo as avaliações presenciais, o que parece um paradoxo, já que estamos falando de cibercultura, o que a princípio deveria excluir essa modalidade de avaliação, porém ela faz parte do escopo avaliativo da EAD, em nas diferentes plataformas:  CyberQ, Carnegie, WebCT, TopClass, ClassNet, AulaNet,  etc.  A grande descoberta avaliativa na EAD, para o aprendente é o feedback, a qualidade dessa ferramenta nos diz com muita clareza se estamos sendo bem avaliados ou não, pois é a partir dela que o professor nos aponta com clareza, ou não, quais nossas maiores fragilidades e potencialidades. Nele, também, o corpo docente envolvido no processo se auto-avalia, podendo rever posturas, otimizando outras ou repeti-las ao longo do curso. A diferença dofeedback na cibercultura, está em sua velocidade e interação, sua flexibilidade e conduta autômona. Tornando-se assim um elemento facilitador da aprendizagem, do que simplesmente, mais um instrumento rígido de justificação de resultados
3.    CONSIDERAÇÕES FINAIS
            Temos que nos conscientizar que somos avaliados a todo momento: a cada acesso, a cada postagem nossa postura colaborativa, nossa prática de leitura e escrita, a qualidade de fundamentação de nossas argumentações, a precisão e velocidade de respostas nos questionários online, etc. O diferencial está no uso do feedback a nosso favor, e a clareza que não estamos numa acirrada competição, mas sim na construção coletiva de uma realização aparentemente pessoal.
REFERÊNCIAS
ENGUITA, Mário - Artigo da Publicação Raízes e Asas n. 8. São Paulo: CENPEC, 1995  p. 23
KRAEMER, Maria Elizabeth Pereira – A Avaliação da Aprendizagem como processo Construtivo de Um Novo Fazer. - 2005 – Extraído do Site: http://www.gestiopolis.com/Canales4/rrhh/aprendizagem.htm#mas-autor
Trilhas do Arendente - Volume 1 / Edna Gusmao de Góes Brennand, Sílvio José Rossi (Organizadores). Joao Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2009, p. 31, 33, 156.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A difícil arte de saber mais um pouco
Ana Elisa Ribeiro  
 
+ de 400 Acessos

Fico particularmente feliz quando alguém me pede a indicação de um livro. Só não fico mais satisfeita porque talvez eu tenha de emprestar meu exemplar, algo que me dói bastante. Em um ou outro caso, tenho dois volumes, justamente para dividir meu sofrimento e reduzir as chances de ficar sem minha querida edição, comprada com carinho e carimbada com meus dados. Sou do tipo que manda fazer ex-libris e que grava umas páginas com carimbo seco. Chiqueza ciumenta, amor pelas palavras.

Mas um dia, uma pessoa próxima espiou minha estante de livros e topou lá com A história da riqueza do homem, de Leo Huberman. Era um volume amarelado e empoeirado, lido durante o ensino médio, quando fazíamos História com um professor que não nos subestimava. O livro estava ali, misturado a outros adquiridos na mesma época. O amigo pediu emprestado, disse que leria logo, prometeu devolver - o que cumpriu - e levou meu volume.

Leu. Foi até rápido, deu pouca notícia, mas comentou, vez ou outra, que gostara de saber umas coisas, que fazia certas conexões com o mundo de hoje, com sua profissão, com as questões da terra na atualidade, etc. Considerou a leitura de bom proveito e me agradeceu pela oportunidade de ler o título. Fiquei feliz com esta chance. Gosto mesmo de ir semeando, numa metáfora do plantar/colher bastante fértil.

Mas daí que a leitura findou, as páginas chegaram ao fim e o amigo sentiu-se apto a ler mais um. Uma lindeza essa história de gostar de algo e querer mais. Viciante mesmo. Fiquei especialmente feliz com o desejo de continuar. Vamos lá, passeie pela estante novamente, quem sabe há algo mais?

O amigo espiou os volumes vizinhos do livro de Huberman. Pensou que talvez o critério ali fosse o tipo, a categoria, o tema. Estava errado. Era só a época em que li as edições, mas estava tudo bem. E depois de sentir-se perdido, numa espécie de labirinto de oportunidades, o amigo me pediu sugestão.

É difícil dar sugestão. Ler é coisa particular. Mas também é coletiva. Quando ler depende de gosto pessoal, fica tudo muito melindroso. Mas eu poderia tentar. Conhecia o amigo razoavelmente e vinha cá com a experiência recente de ele ter gostado de um livro de história. Da riqueza. E dos homens. Então ousei. Bom, na mesma época da escola, li Galeano. Lemos As veias abertas da América Latina, obra da qual não pude sair a mesma. E lasquei a sugestão no amigo.

Ele levou o livro - prometendo devolver, o que também cumpriu. Só que, desta vez, foi muito mais rápido. Devolveu-me um livro quase a atirá-lo em minha cara. Disse ali uns xingamentos, como que a me censurar por ter indicado algo como aquilo. Fui apurar e descobri o que havia acontecido: o amigo não tolerou. Mal conseguiu passar ali das primeiras páginas, achou o autor um maluco, avaliou o texto como "de esquerda", olhou, olhou e não se enxergou ali. Mas, por outro lado, não quis olhar o que não fosse sua própria cara. Xingou. Devolveu como se tivesse vírus. Tirou de circulação, antes que os filhos vissem. Disse que era um absurdo ler aquilo. E não quis mais ler nada da minha estante.

Bem, eu não me ofendi. Na minha estante tem isto e aquilo, tem de tudo, tem pra lá e pra cá. Minha estante balança. Minha estante é um mundo - inteiro, e não de um lado só das coisas. Minha estante tem pra gregos & troianos. E eu fiquei mesmo foi com pena das pessoas que não conseguem sequer conhecer um pouquinho das sabedorias dos outros. Quem são eles? O que eles pensam? Por que não pensam como eu? Por que são diferentes? Por que sou diferente deles? Qual é a lógica deles? Nem isso. Imagina se alguém assim pode aprender?

Aprender é um movimento pendular. Aprender depende de sair um pouco de si e espiar lá, onde nunca estive, para, quem sabe, voltar. Ou não voltar. Aprender é um movimento, antes de tudo. Aprender é um balanço entre uma coisa que eu sabia e outra, que eu não sabia. Às vezes, ainda, uma outra coisa que eu achava que sabia, mas não. Ou uma coisa que eu nem sabia que sabia. Aprender pede tino, tato, um pouco de calma, esforço. Não é sempre lúdico, como querem alguns. Aprender às vezes mexe com coisas enferrujadas, demove, arranha ou arrasta. Aprender pode ser desconfortável, incômodo. Imagina dar-se conta de que não se sabia nada direito? É um horror, para um adulto maduro e formado. Mas se você não pode nem sequer ler...

Eu fiz um esforço mínimo - porque conhecia um pouco a teimosia e a dureza do amigo - para convencê-lo a continuar com o Galeano. Disse a ele que, talvez, fosse interessante ler aquele livro até o fim, conhecer algo daquela história ali, sob aquele ponto de vista. Livro famoso, dezenas de edições, milhares de citações. Vamos ver então? O que será que ele guarda? Mas o amigo não quis. Não quis nem saber - não é essa a expressão?

Alguns dos meus parentes diziam que "saber mais não ocupa espaço". Há uma ou duas frases parecidas com essa. Saber mais é lucro. Mas o que eu fico pensando é que saber mais talvez nos leve a escolher com um pouco mais de informação. Pra que serve tanta informação, tanto relatório, tanto número, tanto texto? Pra tomar decisões. É pra isso que serve saber isto e aquilo. E, mesmo assim, não há garantias sobre perfeição, acerto e precisão.

Eu lamento os amigos que não querem nem saber. Eu lamento crianças que já convivam com isso. Ler - em que dispositivo for - é uma chance de saber mais sobre algo. Ler Galeano ou ler Huberman, ler um teco de Hobsbawm ou um tico de Arendt pode ajudar a balancear melhor as ideias, seja para ir, seja para voltar. Mas, para voltar, é preciso ter ido, para escolher, é preciso ter enxergado, ao menos, dois lados, senão mais.

Fábrica de Chocolates
Livros, de Van Gogh 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mustafa Özbakir, ___Open ArtGroup_________@

Mustafa Özbakir, pintor turco , nació en Adana. Se graduó en el taller de Cebrail Ötgün en la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de Mersin en 2005. En el mismo año, ganó un mérito premio en la pintura de Estado 66a y Competencia Escultura. En 2006, recibió el primer premio en el Concurso de Pintura En segundo lugar, que se celebró en el nombre del alcalde en Ümraniye. En 2008, recibió un mérito premio en la pintura de Estado 69 y Concurso Escultura. En la actualidad, Özbakır continúa pintando en su taller de Adana.


Foto: Mustafa Özbakir, ___Open ArtGroup_________@
Mustafa Özbakir, pintor turco , nació en Adana. Se graduó en el taller de Cebrail Ötgün en la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de Mersin en 2005. En el mismo año, ganó un mérito premio en la pintura de Estado 66a y Competencia Escultura. En 2006, recibió el primer premio en el Concurso de Pintura En segundo lugar, que se celebró en el nombre del alcalde en Ümraniye. En 2008, recibió un mérito premio en la pintura de Estado 69 y Concurso Escultura. En la actualidad, Özbakır continúa pintando en su taller de Adana.