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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Da preguiça como método
de trabalho

Antigamente e agora
Antigamente, era preciso virar todos os retratos dos nossos antepassados contra a parede, para não continuarem espiando a gente.Espiando ou espionando, nunca se sabe... Mas agora, alheios a tudo o mais, eles ficam olhando juntamente conosco, noite adentro
,
as intermináveis novelas da TV. Mario Quintana
"Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos." LESSING
"Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis conseqüências do trabalho na sociedade capitalista". (Paul Lafargue)

Bom, pessoal! Essa é apenas uma provocação que remete a algumas leituras que ando fazendo no campo da Sociologia do Trabalho. Usei um trecho do livro "Da preguiça como Método de Trabalho", do célebre Mario Quintana e um artigo de Paul Lafargue (O Direito à Preguiça). Não sou contra o trabalho. Sou desconfiado, intelectualmente, da cosmovisão imanente que o mesmo adquire na sociedade pautada pelo capitalismo de mercado. Acho que todos vão inferir isso das postagens presentes no blog, principalmente os caros amigos versados em Análise do Discurso.
Não tem problema! Tenho mesmo uma 'questão' mal resolvida com essa coisa chamada trabalho. E para ficar bem claro, o contrário do trabalho não é ficar desempregado. É o anti-trabalho, ou seja, o anti-enfado, canseira, etc. Anti-trabalho significa criação, fruição, contemplação, que poucos têm o privilégio de associar ao próprio trabalho ou emprego. Os mortais apenas se arrastam dia a dia num continum de sofrimento inescapável, sublimado nos happy hours ou nos boicotes crônicos do trabalho durante o expediente.
Mas a civilização moderna está assentada sob o trabalho. O Homem se torna apenas uma peça de engrenagem da máquina ? Sei lá! Não se pode afirmar muita coisa hoje em dia dada a fugacidade das verdades cada vez mais provisórias".

Quem se interessar pela 'neura' desse tema, pode começar como eu: dando uma "cubada", como se dizia na minha época de adolescência, na obra do Sociólogo francês Cristopher Dejours, principalmente em "A Banalização da Injustiça Social", "Psicodinâmica do Trabalho" e a "Loucura do Trabalho". Se não resolver, pelo menos explica um pouco. A explicação já é uma espécie de libertação.
Rhaymer L. Campelo

Um comentário:

Anônimo disse...

Legal, tenho um pensamento um pouco parecido com o seu, e minhas justificativas também.

Se você for observar o ciclo que nos é imposto é trabalho escravo. Pois, o indivíduo levanta-se cedo para trabalhar, só chega em casa a noite. cançado... não tem tempo para se relacionar - è preciso estar informado sobre o que esta se passando no mundo..., rss E fica para depois coisas muito relevantes como a comunicação, o relacionamento com a família.


A culpa não é do totalmente sujeito. É também do sistema. Pois no trabalho ele faz a função de três, e tem metas a ser alcançadas, tem que ser sadio em todos os aspectos, rs,rs, manter-se com uma aparência brilhante,... Então ao chegar em casa ele deixa de fazer o que é importante e segue alienado cumprindo o dever de casa, rsrs. O resultado de tudo isso são famílias enfermas, pouco afeto natural, individualismo, problemas emocionais... vai enumerar, rs,rs. São tantas as sindromes...