Estelionato Semântico
DITABRANDA ? Como assim?
Esse Blog pretende humildemente analisar algumas assertivas da chamada "midiazona" no que se refere à imposição e ao controle ideológico dos fatos e contra o malabarismo semântico que a mesma, historicamente, pratica em prol dos interesses do grande Capital.
Ecoou nos meios digitais um estranhamento a um editorial da Folha de São Paulo que, em uma de suas tiragens de Fevereiro de 2009, denominou como "Ditabranda" o Regime Militar instaurado em 1964.
DITABRANDA ? Como assim?
Esse Blog pretende humildemente analisar algumas assertivas da chamada "midiazona" no que se refere à imposição e ao controle ideológico dos fatos e contra o malabarismo semântico que a mesma, historicamente, pratica em prol dos interesses do grande Capital.
Ecoou nos meios digitais um estranhamento a um editorial da Folha de São Paulo que, em uma de suas tiragens de Fevereiro de 2009, denominou como "Ditabranda" o Regime Militar instaurado em 1964.
Foi uma indigestão das bravas! O vocábulo, junção de duas palavras tão desinteressadas (dita + branda), termo inaugurado pelo ditador chileno Augusto Pinochet, mal chegou a atingir o estômago já sofrido dos remanescentes do período da ditadura e nos cidadãos esclarescidos e já causava um significativo mau-estar.
Uma manifestação em frente à sede do jornalão foi montada no dia 7 de Março por uma multidão indignada com o destempero da Folha, que já apontava um namoro, mesmo que inconsistente, com os ideiais direitistas e neoliberais desde o início da década liberal iniciada com Fernando Henrique Cardoso em 1994.
A Revista Caros Amigos chegou a relacionar alguns colaboradores do jornal, intelectuais, professores e jornalistas, compromissados em montar um esquema de revisionamento das percepções do que foi o período mais sangrento da história política e social brasileira: A DITADURA. diga-se com todas as letras. Também procurou retratar dois intelectuais que, na ocasião da reportagem, teceram comentários não muito amigáveis ao jornal sobre as implicações do termo "ditabranda" : O jurista Fábio Konder Comparato e a historiadora Maria Victória Benevides, ambos da USP. A FSP prontamente tratou de repudiar e criticar a declaração dos dois, dizendo que os mesmos apoiavam as formas ditatoriais de Cuba e Venezuela.
Essa estratégia de manipulação semântica nos faz lembrar o "Duplipensar" de George Orwell em 1984, que consistia em declarar uma suposta proposição ou verdade e, logo em seguida, contradizê-la, num jogo de palavras e ideias capaz de gerar alguns efeitos cognitivos: manipulação da memória, cegueira da percepção, embotamento intelectual e falta de senso histórico. Mas não será mesmo essa a estratégia da grande mídia que, mesmo trazendo "esclarecimentos" históricos em sua páginas, pratica o que se denomina de Relativismo Histórico. Esse relativismo, essa tentativa de revisão histórica está permeada de interesses políticos e ideológicos.
A Revista Caros Amigos chegou a relacionar alguns colaboradores do jornal, intelectuais, professores e jornalistas, compromissados em montar um esquema de revisionamento das percepções do que foi o período mais sangrento da história política e social brasileira: A DITADURA. diga-se com todas as letras. Também procurou retratar dois intelectuais que, na ocasião da reportagem, teceram comentários não muito amigáveis ao jornal sobre as implicações do termo "ditabranda" : O jurista Fábio Konder Comparato e a historiadora Maria Victória Benevides, ambos da USP. A FSP prontamente tratou de repudiar e criticar a declaração dos dois, dizendo que os mesmos apoiavam as formas ditatoriais de Cuba e Venezuela.
Essa estratégia de manipulação semântica nos faz lembrar o "Duplipensar" de George Orwell em 1984, que consistia em declarar uma suposta proposição ou verdade e, logo em seguida, contradizê-la, num jogo de palavras e ideias capaz de gerar alguns efeitos cognitivos: manipulação da memória, cegueira da percepção, embotamento intelectual e falta de senso histórico. Mas não será mesmo essa a estratégia da grande mídia que, mesmo trazendo "esclarecimentos" históricos em sua páginas, pratica o que se denomina de Relativismo Histórico. Esse relativismo, essa tentativa de revisão histórica está permeada de interesses políticos e ideológicos.
No momento em que a América latina apresenta um boom de ideais esquerdistas, pautados por movimentos sociais e até econômicos, posicionamentos políticos contra o imperialismo estadudinense e a visível saturação de um modelo de produção econômica baseados na exploração e acumulação do capital, era de esperar que os porta-vozes da Direita mostrassem suas "azinhas" contra a ameaça que se apresenta. No caso da FSP, o interesse sempre foi comercial. No Regime Militar usou a Folha da Tarde, jornal integrante do sistema, como propaganda de repressão aos subversivos que praticavam atos de resistência ao regime, como Frei Beto, que trabalhou no jornal e membros de organizações como a ALN (Aliança Libertadora Nacional) e o MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes). Na abertura política da Diretas Já, tratou de remodelar seu discurso para atender às aspirações dos novos consumidores de informação do novo cenário democrático. De lá pra cá vem se identificando com as idéias neoliberais manifestadas vez ou outra nas críticas contra o Governo e as tendências de esquerdização em alguns países latinos.
Toda essa celeuma ganha fôlego com as críticas do jornal aos professores da USP, que foram acusados de defender os "regimes" socialistas de Cuba e da Venezuela de Hugo Chaves e, segundo a Folha, regimes ditatoriais nos moldes do militarismo brasileiro de outrora. A reação é desinformada, na razão que o próprio professor Konder, no mesmo painel do leitor da Folha onde foi publicado o editorial em questão, já havia manifestado críticas ao regime de Fidel Castro, segundo a Revista Caros Amigos.
Interessante notar a reação nos meios digitais, blogs e sites ligados à livre imprensa, fora do circuito da grande mídia. Num momento indeterminado de consciência coletiva gerado pela fagulha de reação ao termo infeliz praticado pelo jornal, uma centena de blogs interligados e mesmo a televisão, em programas de massa, já haviam estranhado ou tentavam explicar o efeito de sentido que termo produzia.
Toda essa celeuma ganha fôlego com as críticas do jornal aos professores da USP, que foram acusados de defender os "regimes" socialistas de Cuba e da Venezuela de Hugo Chaves e, segundo a Folha, regimes ditatoriais nos moldes do militarismo brasileiro de outrora. A reação é desinformada, na razão que o próprio professor Konder, no mesmo painel do leitor da Folha onde foi publicado o editorial em questão, já havia manifestado críticas ao regime de Fidel Castro, segundo a Revista Caros Amigos.
Interessante notar a reação nos meios digitais, blogs e sites ligados à livre imprensa, fora do circuito da grande mídia. Num momento indeterminado de consciência coletiva gerado pela fagulha de reação ao termo infeliz praticado pelo jornal, uma centena de blogs interligados e mesmo a televisão, em programas de massa, já haviam estranhado ou tentavam explicar o efeito de sentido que termo produzia.
Segundo alguns analistas, a "ditabranda" da FSP exemplifica uma estratégia política no âmbito dos meios de comunicação que tem como finalidade preparar um futuro movimento reacionário nos seguintes moldes: Dado as tendências e programas socializantes experimentados no Cone Sul, desde o Paraguai, passando pela Bolívia, Venezuela, Brasil (menos), até a eleição de um negro nos EUA, caso houvesse uma retomada política da direita nesses países, um possivel enfretamento seria justificado, no qual poderia até culminar em repressão armada, aos olhos já preparados dessa geração. Trocando em miúdos: seria uma nova ditabranda necessária, como foi a do passado.
A midiazona, voz da elite dominante, reinterpreta o passado, tentando construir um futuro ao seu gosto. D u p l i p e n s a r . . .
Rhaymer Lisboa Campelo
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Um comentário:
É interessante. Mas o que passa que há muita desinformação das massas. A maior parte da população sabe pouco. Então daquilo que lhe é passado via jornais é a verdade. No entanto, muita coisa pode não ser mostrado e então só é passado o que querem para cativar o público alvo para o rumo que intencionam trazer e conduzir.
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